sexta-feira, 11 de julho de 2008

when the birds calls me to come down to earth

aqui são exactamente 3a.m.
precisei umas horas valentes para sair do meu estado de fascinação pelas coisas que hoje vi.
viajo poucas vezes de forma física.
devia fazê-lo mais vezes, pois qualquer coisa que vejo de diferente é um fascínio.

ao longo da minha viagem de metro, que quase me obrigou a percorrer a linha vermelha de lés-a-lés, 3 situações (+1) com muito em comum foram-me presenteadas por alguém.

o tempo estava húmido e seco.
algumas nuvens no céu. nuvens altas que quase apagavam o sol.
mas o sol ia aparecendo. estava muito calor.

saí da cidade e começo a entrar num meio absolutamente rural.
o espaço envolvente do metro de superfície deixa de ser cinza e fechado, para ser verde e soalheiro.

linda esta abertura do campo de visão.

ao longo do percurso passo pelo aeroporto e avisto algo que para mim é raro: um avião bem pertinho do chão a fazer uma aterragem.
como ia em sentido inverso ao da aeronave quase parecia que ele planava.
escondeu-se por detrás de umas árvores.
eu logo tentei ver por onde ele seguia, e felizmente a linha torneava essas árvores revelando novamente o avião a poisar.
já tinha passado por este local outras vezes e nunca tinha visto uma aterragem assim. tudo muito devagar... muito lento... parecia que o tempo parava para eu assistir ao evento com toda a calma.
era da Lufthansa onde o logo é uma ave. não é difícil que o logo de uma companhia aérea seja algo que voe, mas eu fiz questão de reparar quem é que andava por ali.

acomodei-me novamente no assento.
deixei-me passear pelos campos de milho ladeados por pequenos bosques repletos de várias espécies de árvores.
adoro esta viagem. relaxa-me muito...

mais à frente olhei para uns postes eléctricos que estavam bem no meio dos campos e reparei que nos cabos estava parado um pássaro.
não era uma pomba ou gaivota... era algo dali dos bosques. mais próximo à rapinagem.
saltou para o ar num voo calmo e mergulhou ali entre as ervas.
novamente o tempo estava a meu favor.
mexi-me do lugar para ver o que aconteceria depois, mas só consegui entender que se perdera entre as tais ervas altas. o metro avançou e não esperou pelo meu fascínio.

interessante.
dois voos bonitos de serem vistos.
relaxei novamente até chegar ao meu destino.
foi uma hora de viagem.
fui a uma reunião de trabalho.
não levou muito tempo e retornei logo que pude.

chego ao meu destino de origem.
tenho que passar numa rua bem inclinada, onde está colocado um prédio enormíssimo.
como a rua é inclinada eu olho mais para cima.
num momento do meu olhar reparo no ponto mais alto do prédio que pertence a um hotel.
novamente um pássaro a pairar no ar durante algum tempo.
era por certo uma pomba que apanhou uma camada de ar quente e gozou aquele prato todo.
esteve muito tempo a pairar. e eu parei o meu andar para a ver.
foi como se alguém dissesse para olhar para aquele ponto do mundo.
com toda a casualidade do olhar, olhei para cima para prestar atenção ao que acontecia ali.

a ave planava no voo.
e a dada altura mergulhou para entrar numa varanda do prédio.
mas não entrou logo.
voltou a subir.
e voltou a descer novamente.
entrou na varanda.
voltou a subir de novo.
planou um bom pedaço e depois eu continuei o meu percurso como se alguém dissesse: "ok, prossegue agora com o teu caminho."

cheguei a casa para pousar a mochila.
fiz uma série de coisas antes de sair e fui até à cozinha onde estava uma daquelas traças lindas que se cola à superfície e tem uma cor creme com dois olhinhos em cada asa.
só que ela estava no chão.
tentei pegar nela para fazê-la voar.
toquei-lhe na asa e ela saltava à toa.
voava um pouquinho e logo voltava ao chão da cozinha.
virada ao contrário, de patas para o ar, ou mesmo virada para baixo.
ela não parecia importar-se com o facto de ficar virada de pernas para cima!
eu insistia que ela ficasse confortável numa posição mais natural já que ela não queria sair do chão.

questionei-me porque raio assisti a 3 situações de aterragem?
ao início pensei que algo me dizia para arriscar mais na minha vida. o voo é sempre algo arriscado.
mas a pensar mesmo bem, o mais difícil do voo é voltar a pisar uma superfície estável.
seja como for só estava a ver o lado da mensagem para voar alto.

a mensagem não é essa não. ou antes não é só essa.

tenho passado por situações diversas de ansiedade.
o meu caminho tem sido farto de ansiedade.
desce à terra.
lida com a realidade.
hoje disseram-me que tenho que sair de onde estou a morar porque é nocivo.
não me deixou triste.
tenho que descer à terra para poder arriscar convenientemente.

o que é estranho é quando as mensagens são faladas através de coisas, objectos, animais, situações que estão no meio do nosso dia banal...
quando vi o pássaro no hotel, quando retomei o meu caminho senti um arrepio doce pelo corpo.
e agora quando percebi que tenho que assentar os pés na terra voltei a sentir o mesmo.
esquecer um pouco a minha fantasia.
e olhar para o chão firme.

2 comentários:

Anónimo disse...

O acordar do "vôo", o assentar os pés no chão, também é bom... Faz-nos ter uma percepção da realidade mais sentida, não tanto ilusória... Não tenhas medo de "aterrar"... tudo vai correr bem... Acredita em ti que eu também acredito...
Küsse von Infinite Wisdom :)

Ana É lus a disse...

ah, feliz o dia que, como os pássaros, pudermos, do alto, identificar com perfeição onde está o alimento que nos alimenta a alma, o corpo, a mente... permite acor-dar os sentidos, aquecer o coração, sentir tesão pela busca e pelo encontro... perceber que o viver se faz a cada dia e que cada momento é um graveto perfeito ao nosso ninho! e qualquer porto garante o peixe, seja ele bacalhau ou cação...nos oceanos da vida!