estes últimos dias têm sido plenos de coisas novas e boas.
pleno? momentos plenos no vazio?
quando o vazio começa a encher é bonito de o sentir a encher.
só esvaziado se valoriza o que vai nascendo. ou re-nascendo...
poder estar com alguém, inteiro...
é um privilégio que não acontece todos os dias. não acontece mesmo todos os dias.
estive com a Luz ontem.
sem o tempo.
a Luz este sempre presente, connosco.
fecho os olhos devagar a saborear as imagens que gravei dos momentos.
aos poucos ia reparando como ela é de uma beleza explosiva.
ela tem-me ensinado coisas muito importantes.
chego-me a assustar com este tempo que tenho aprendido a viver.
com calma. com tempo. aprender a ter tempo, a deixar o tempo fluir. a alargar o tempo.
sinto-me nas suas mãos como se tivesse a flutuar em água que posso beber.
dou alguns goles. embora a minha sede seja terrível, eu aprendo a beber com tempo.
sim, deixo-me ir nestas águas profundas. flutuando com paixão, ousadia, risco.
ela ensina e permite-me flutuar. ela abre espaço para eu mergulhar. para eu me assustar. para eu me agarrar com o medo,... e depois soltar. é isto que sinto.
não tenho medo de sentir tudo isto, mas tenho medo do escuro. tenho medo do que não conheço.
flutuar sob estas águas profundas assusta profundamente.
não se conhece o amanhã. é por isto!
e quando a ansiedade abate sobre mim...
ansiedade por querer mais. por querer ser arrebatado. por querer beijar mais. ansiedade por encher-me por completo. ansiedade por amar e provar que posso amar. ansiedade por explodir-me. ansiedade por me sentir pleno, homem completo, homem eficaz. ansiedade por encher de prazer, por ser desejado. por ser preciso. por ser único. por viver na sua vida. ansiedade por construir, por estar presente. por arquitectar. por participar. ansioso por ser seu parceiro. cúmplice. ansiedade por atingir essa parceria. ansioso por eliminar idealizações e expectativas.
tantas ansiedade.
tantos medos.
quando é que isto vai mudar?
parece que não cresço.
parece que não vivo.
e é por isto, talvez, que o homem não tenha terra...
o homem percorre a pradaria. solitário.
prospectando por algum filão de terra fértil.
sem cavalo.
apenas a sua roupa gasta. as suas botas sujas.
são as únicas armaduras contra o pó e o tempo.
tecidos vulgares apenas.
e um resistente par de botas que o seguram a cada passo nessa terra quente e grosseira.
essa terra quente e grosseira não é infértil. não. não é não.
apenas não é a terra certa.
foi um privilégio enorme.
é um privilégio enorme.
sei que vais achar exagero.
digo isto consciente e tranquilo porque sei a diferença entre estar com quem se gosta ou estar com quem se precisa.
e é por estar a gostar que sinto que é um privilégio este contacto.
ensinas-me.
por isso, ensina-me mais.
sei que pode doer.
sei que já doeu.
sei que estou a aprender a ser maior.
apetece-me falar mais coisas que sinto.
mas seriam coisas de um apaixonado meloso e isso eu já vivi antes e resultou numa diluição do mel na água. coisa sem sabor.
por isso em vez de me desfazer na água vou procurar ser mais consistente e consequente.
mais forte.
vou procurar mergulhar mais fundo.
a terra não é vazia.
é vasta.
é preciso andar muito sobre ela.
tal como é preciso flutuar nas águas profundas quando se encontram águas profundas.
ando devagar nesta terra árida.
flutuo suavemente nessas águas límpidas.
gosto muito de tudo isto.
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