voltei.
algo se passa.
fechei a luz e deitei-me a pensar no dia de hoje.
reparei que tenho vivido vários baldes de água fria.
bom, vários não. alguns apenas. mas cada balde destes não tem só água fria não.
é um balde de ensinamento.
ensinam-me a ser mais consistente, a ser mais certeiro, a ser mais assumido no que quero.
quero mulher. quero copular. quero esvaziar-me da minha energia sexual. quero tocar. quero abraçar. quero envolver o meu corpo no outro.
e tudo isto, só assim é visto de forma grosseira, pois dizem que não há amor neste querer.
a minha mão direita sinto-a suave.
a minha mão esquerda sinto-a perplexa, triste, estranhamente vazia para falar.
quase... sem sentimento. quase... paralisada. perplexa pelas recusas. perplexa por se ver desejada.
a minha mão direita sinto-a livre de qualquer olhar. como se absorve-se cada segundo que vive com prazer. e compaixão.
deitei-me a pensar o que poderia fazer a esta hora.
a quem podia ligar para poder tocar.
a quem me podia apresentar.
ninguém vivo.
então saí dessa ideia e procurei criar.
desviar o meu desejo para a criação.
mas sinto o meu corpo todo pulsante.
e estou longe do local de criação.
sem chance.
fico nesta bolha de silêncio.
aguardo que amanheça.
que o cansaço e o sono se deitem comigo.
que o pensamento se esvazie também.
e que o corpo encontre uma frequência mais baixa.
ouço o sangue a pulsar no meu tímpano.
sinto-me dentro de um balão de borracha.
todo o som parece plastificado.
é uma cadência certa, mas plástica.
sinto todo o coração. o meu corpo como um coração.
um corte que faça é como uma artéria rasgada a esvair-se em sangue.
preciso de uma mulher. quero copular. quero toca-la. quero senti-la.
mas tudo isto parece ser visto como algo grotesco, pobre, sem amor.
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