PARTE 1
parece que vivo obcecado por encontrar gente e mais gente.
e tenho encontrado pessoas de uma Luz celestial.
mas, ao mesmo tempo parece que a minha natureza tende não só para o autismo mas, também para amar e destruir.
PARTE 2
ao fim de muito tempo tenho-me apercebido de muitas coisas.
hoje o meu coração foi esfaqueado.
parece uma coisa de assalto por um punhado de euros...
tenho reparado que me refugio muitas vezes pelo medo que tenho em percorrer esta estrada.
é a maior a estrada da vida. é a maior estrada que alguma vez nós pudemos conhecer.
sim, já sei da lamechice que está a parecer. mas, parece também que hoje temos vergonha em encarar certas coisas de frente.
ontem eu dizia que tinha vergonha de usar a palavra romântico, quando alguém estava a ser romântico comigo.
assim como tenho medo de usar a palavra apaixonado quando estou apaixonado por alguém.
tenho medo, tenho vergonha.
tenho medo e tenho vergonha.
e são estes dois estados que me ensinaram a destruir.
fujo insanamente do que tanto desejo.
assim que me apaixono e conquisto viro louco barão a espoliar a cidade.
é literal.
construir e destruir.
e se possível evitar deixar marca.
mas, na verdade, isto é impossível.
porque tenho medo de me entregar, também tenho vergonha de me apaixonar. e vice-versa.
só que curiosamente, eu apaixono-me diariamente.
e não estou a ser lírico, não.
só que nesta rotina quase industrializada em que eu próprio me deixei cair eu levanto subitamente as lanças.
ao fim de algum tempo entendi uma coisa bem interessante:
todos nós, aqui da terra somos uma peça de um puzzle qualquer. mas não somos uma peça que só encaixa apenas com determinadas peças de um puzzle maior. não. a complexidade é verdadeiramente mais bonita do que um puzzle chato e interminável.
cada peça, cada um de nós, pode encaixar com qualquer outra peça. apenas porque somos matéria adaptável. podemos se quisermos.
não é que não haja compatibilidade. porque há!
somos TODOS compatíveis.
precisamos apenas de nos entregarmos. e é muitas vezes isso que nós não queremos!
eu sei porque esfaqueei vários corações que se entregaram e eu nem precisei de os conquistar.
apenas de os desejar, só tive que os desejar... e esfaqueei-os.
peguei nestes corações, ali bem directo no peito.
não os arranquei.
segurei-os.
e esfaqueei-os sem qualquer emoção.
retalhei-os.
e assim ficaram a esvaziarem-se, a sofrer.
e assim fiquei eu a ver a mirrarem.
é horrível ver isto.
é horrível sair do meu corpo e ver esta monstruosidade a acontecer.
mas... ao fim das contas eu não sou diferente dos outros, inclusive dos corações destuídos.
não sou mesmo.
parece apenas que sou mas não sou.
parece porque sou eu que estou a expor-me.
mas, em algum momento, os portadores destes corações esfaquearam outros.
pois é bem verdade que quando se ama e se destrói não há vítimas nem carrascos, porque não há quem ame ou seja amado - as coisas a existirem, existem mutuamente. ou seja, hoje amamos mais o outro, amanhã amaremos menos, e vice-versa. e mais, se alguém nos fere é porque permitimos. e muitas das vezes que dizemos estar feridos, o carrasco é o próprio.
bom, é a tal da parceria.
e por isso digo que não sou alguém especial na sua monstruosidade.
não, para esse peditório eu já dei.
outra coisa que reparei nos últimos tempos, além desta coisa que somos todos uma espécie de puzzle de peças vivas e flexíveis, é então esta coisa do fugir de amar e outra ainda é o vaguear por paradoxos, ambiguidades, indecisões, todas convenientes.
não saber o que não quero.
não querer saber o que quero
deixar-me na indefinição faz parte do meu jogo de conveniência para comigo mesmo mas, que no fim sou eu que saio a perder.
não se vive rigorosamente nada.
dizem-se coisas que não correspondem à verdade só porque naquela altura é o que a outra pessoa quer ouvir.
usa-se e abusa-se da sedução.
e do lado tímido sedutor.
mas um dia, por estar cansado de uma vida farsante, metidos dentro de uma armadura, sem sentido. cansado de viver apenas nas fantasias, ou de viver apenas alguns segundos de horas completas. cansado de ir só para conquistar. cansado de amar a metade. e sobretudo cansado de destruir...
decide-se por sair da armadura.
ir em frente.
ir todo.
jogar com o outro.
nestes últimos dias fui uma pessoa muito bem disposta porque amei e fui amado.
mas, ainda mais do que isso: porque me predispus a entregar-me. a arriscar. a viver.
sem vontade de conquistar e destruir.
hoje esfaquearam-me o coração quando me disseram que afinal ainda não é a altura.
mas eu aprendi coisas:
na verdade fui eu que abri o peito.
fui eu que deixei jogar com o meu coração sobre um tapete de facas!
e sei que o meu coração retalhado vai ser cosido por mim e ficará bom novamente.
amar e destruir não é coisa que queira voltar a viver de novo.
eu sei que é fácil essa estrada.
mas eu quero aprender a amar como eu sou: de peito aberto.
dizerem-nos que afinal não vai dar.
que há coisas do passado que ainda estão por resolver.
...
bom,... levar o tal do corte...
eu fiquei foi com vontade de ir à luta.
mas,... será que é o q faço melhor?...
deixo rolar.
...
PARTE 3
mas estou bem triste.
triste pela recusa
e triste por me sentir novamente desamparado.
entregue a mim mesmo...
pensei eu que estava a construir algo de muito bonito...
na verdade, construí.
e construí mesmo.
não deito nada fora do que vivi nos últimos dias.
ai isto é que não vou destruir.
mas, estou bem triste por me ver novamente no espaço sideral...
de cordão umbilical cortado.
a vaguear novamente nú...
entrei no silêncio que me pediu.
e isto eu sei fazer.
mas,...
sempre dói. por mais que não se queira.
mas eu aceito o amor dela assim mesmo.
sempre aceitei este amor assim.
...
PARTE 4
confesso já que suspeitava que aquele fosse o conteúdo da mensagem que ia ouvir.
há coisas que não precisam ser faladas pois tornam-se excessivamente horríveis de se ouvir.
eu olhava o céu da noite e dizia para mim mesmo que não valia a pena entrar naquele rio de ansiedade enquanto não soubesse ao certo aquilo que eu já sabia e que não queria saber.
eu tinha que registar este evento.
porque para mim não me tiraram o tapete debaixo dos pés.
mas a dureza dos factos faz-me ver que é realmente importante saber saborear os bons momentos. é realmente importante ver como se devem valorizar as coisas boas que nos acontecem mesmo que seja por um segundo de vida.
eu entendo a situação.
eu concordo com a proposta.
não posso criar pressão, não posso criar chantagem emocional, não posso vitimizar-me. terei que colocar-me à parte, frente à sua opção.
mas dá-me vontade lhe perguntar: mas, então as novas experiências que queres são as experiências pelas quais já passaste?
mas como compreendo a tua incerteza!
do fundo do meu coração compreendo-a.
mas fico muito triste mesmo. não dá como não ficar assim. porque vejo que aqui perco alguma coisa muito, mas muito boa mesmo!
não fico nada zangado. como poderia ficar zangado?
mas fico com vontade de te raptar!
PARTE 5
eu vivi obcecado por encontrar gente e mais gente.
agora não tenho como não conhecer pessoas.
agora deixo-me ir por este rio, qual Ofélia apagada da vida.
mas por este rio fora, deitado sobre as suas águas calmas toco em gentes de bem.
não imaginam a quantidade de pessoas Luminosas que se encontra quando relaxamos sobre a água e nos deixamos invadir,... e invadimos com carinho...
1 comentário:
Brown Mudd,
meu companheiro de tantas viagens por mares nunca d'antes navegados, não digas sandice, por favor... és dos seres mais sensíveis q a vida me deu o privilégio de conviver, conhecer e tocar, mesmo sem jamais ter chegado a toca seu cabelo!Creio que a pergunta que deves buscar conhecer a resposta é porque te impões sempre a busca do que está distante, pq só o impossível te fascina ocoração e a mente... porque ser feliz é sempre uma missão impossível, o amor nunca está do lado, pq o sol sempre brilha mais na janela alheia?
Só qdo comecei a colocar foco às perguntas corretas, pude vislumbrar o q antes parecia intangível...
Te amo pelo que percebo de imerso em ti, mais do que pelo que me mostras. Espero que percebas o lindo que carregas escondido até mesmo, e mais que tudo, da tua pessoa.
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